CÂMARA DE COMÉRCIO PORTUGAL-GUINÉ-BISSAU LANÇA GUIA DE INVESTIMENTO
Quatro anos após o navegador Nuno Tristão chegar às costas da Guiné-Bissau (1446), Portugal iniciou operações comerciais na sub-região ocidental da África (1450). Quinhentos e setenta e quatro anos depois, a Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Guiné-Bissau (CCPGB), uma das quatro Câmaras de Comércio nacionais ativas no continente africano, aproveitou as celebrações dos 50 anos de independência da Guiné-Bissau para lançar o “Guia de Investimento Portugal Guiné-Bissau 2023/2024”.

O lançamento oficial ocorreu num prestigiado evento na Embaixada de Portugal em Bissau, com a presença do então Ministro dos Negócios Estrangeiros, João Cravinho, e do seu homólogo guineense. Devido a dificuldades de agenda, apenas agora o guia foi apresentado em Lisboa, na ABREU Advogados, por Luís Marques Mendes, tendo também marcado presença o ex-Primeiro Ministro, Pedro Passos Coelho, registando-se a participação do Embaixador da Guiné-Bissau em Portugal, Artur Silva.

Um seleto grupo de personalidades analisou o documento, essencial para empresas e investidores interessados no país da costa ocidental africana, onde o investimento português foi sempre historicamente limitado. A Guiné-Bissau, integra a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), apresenta-se como porta de entrada para economias africanas em rápido crescimento.

Atualmente, o foco comercial já não recai como há quinhentos anos, sobre o marfim, ouro ou especiarias, mas em setores como Turismo, Energia e Recursos Naturais. O governo português, por meio do Instituto Camões, mantém esforços na área da Educação, enquanto Bolama, antiga capital colonial, enfrenta o abandono e a degradação…

Recentemente, as atrizes Maria João Bastos, Maya Booth, Margarida Vila-Nova e Madalena Brandão, com o apoio da euroAtlantic airways, participaram numa ação solidária do Clube de África, de entrega de material escolar no arquipélago dos Bijagós. Apesar do calor humano da população local, sentiram desconforto ao serem saudadas com “bonjour”, refletindo uma crescente influência cultural francófona, mantendo a França em Bissau, um ativo Centro Cultural…

A Guiné-Bissau é um parceiro estratégico de Portugal, com empresas portuguesas bem posicionadas nos setores da Aviação e Turismo, Educação, Energia e Infraestruturas. A euroAtlantic airways (2017), em colaboração com o Ministério do Turismo da Guiné-Bissau, organizou a primeira “Fam Trip de Operadores Turísticos à Guiné-Bissau e Arquipélago dos Bijagós”. Um marco que envolveu grandes marcas do turismo português. Abreu-1840, Solférias, Soltrópico, Sonhando, Clube Viajar, You e Across, empresas que representam 80% da operação turística nacional, nesse mesmo ano, lançaram com sucesso na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) pacotes de férias para o destino.
Em Bissau correm rumores, não desmentidos, de que a França está a considerar transferir uma das suas bases militares desativadas no Burkina Faso, Mali, ou Chade, para a Guiné-Bissau. A imprensa do Senegal, país que faz fronteira com a Guiné-Bissau, também vem referindo que instalações militares francesas no país, podem ser encerradas. Para o Turismo e para o arquipélago, património da UNESCO, onde existem resorts franceses, numa sociedade habituada à promoção turística boca a boca (du bouche à oreille) a presença dos militares e famílias é uma oportunidade, por outro lado, também aumentará a concorrência para os produtos portugueses, líderes nas prateleiras dos supermercados locais…

Apesar do potencial agrícola, enorme produção do caju e manga, “mango di faca”, provavelmente a mais saborosa do mundo, grande parte desta apodrece devido à falta de infraestruturas logísticas. O peixe e camarão guineenses chegam à Europa com certificações de países vizinhos, como Senegal e Espanha (Canárias), renovando indicar aos sucessivos Governos do país, desafios para a conclusão do processo da implantação da certificação laboratorial.

O Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira de Bissau, recentemente concessionado à NAS (National Aviation Services) do Kuwait, carece de “Certificação ACC3” para exportação aérea e Alfândega seguras. Um entrave significativo para a Guiné-Bissau integrar plenamente as cadeias globais da distribuição.
Manifestação de Interesse: José Caetano Pestana, Vice-Presidente da Assembleia-Geral da CCPGB, reforça a importância de iniciativas como o Guia de Investimento para fomentar oportunidades entre Portugal e Guiné-Bissau.


