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BTL: Turismo Equestre Fora do Radar da Oferta Turística

A próxima edição da Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), entre 12 e 16 de março, apresenta novo naming: Better Tourism Lisbon Travel Market. O objetivo é reposicionar o evento, elevando-o no circuito internacional de feiras de turismo. O certame conta com Cuba como país convidado, Alentejo e Ribatejo como regiões nacionais em destaque, e o município de Leiria como convidado especial.

O catálogo da BTL’2025 disponibiliza aos distribuidores e ao consumidor final, dilatadas experiências turísticas, Turismo Religioso, Emprego, Meeting Industry, LGBTI+, Wellness, Cultural, LAB, Enoturismo, Village, uma vivência de networking em almoços corporativos destinados a compradores (buyers) internacionais, Um evento que anuncia o Ribatejo em destaque, onde a ausência ou qualquer menção ao Turismo Equestre, um setor que movimenta mais de 100 milhões de euros por ano na Europa. é descartada. Inexplicavelmente, ao percorrermos os corredores do certame, não encontraremos um stand da Associação Nacional do Turismo Equestre (ANTE).

cavalos na paisagem ribatejana

O Turismo de Portugal e Turismo do Alentejo não têm investido grandes recursos no crescimento do Turismo Equestre, um negócio valioso, também responsável por transações milionárias relacionadas com vendas ao exterior da raça “Lusitano” que anexa gerar empregos qualificados no interior do país; Médicos Veterinários, Maiorais, Campinos, mestres ferradores, sem necessidade de recurso a mão de obra emigrante. Ao Turismo Equestre falta promoção e marketing, especialmente no mercado incoming.

Um olhar sobre a Região de Turismo do Alentejo, que inclui o Ribatejo, sugere evidenciar as dificuldades de integração de ofertas diferenciadas, devido às especificidades bairristas, culturais e gastronômicas de cada território. Enquanto a Golegã, Capital do Cavalo, destaca-se com sopa da pedra, enguias, grelos à moda da Azinhaga, em Alter do Chão, casa da Coudelaria de Alter, brilham as migas. Santarém exibe galões do Festival Nacional de Gastronomia, por terras escalabitanas come-se fataça assada na telha, arrepiados de Almoster ou broas de Almeirim. Em Portalegre no Alto Alentejo, há sarapatel e alhada de cação. Évora apresenta um roteiro gourmet de templos gastronómicos com amor. Chegados a Beja, além do paio que leva o nome da capital alentejana, há ensopado de borrego, sopas de beldroegas ou queijo de Serpa, complementando uma oferta cultural e histórica diferenciada, que começa no fandango e termina no cante.

A indústria do Turismo Equestre tem vindo a crescer em Portugal, exemplos, Cavalos na Areia, na Comporta, uma oferta que ganhou visibilidade internacional, com um vídeo viral da Rainha da Pop, Madonna, galopando ao longo da praia. Outras evidências incluem o Picadeiro d’Arrábida, em Azeitão, existindo outras ofertas a crescer na Costa Alentejana e no Algarve, que já tem a sua Feira do Cavalo em Estoi, incluída na agenda estival.

Quinta da Cardiga futuro Hotel Vila Galé terá cavalos na oferta de serviços

Turismo Equestre: Portugal Precisa de Estratégia e Posicionamento Global

Enquanto a Espanha consolidou o Turismo Equestre como segmento estratégico, convertendo-o em motor de receita e projeção internacional, contando já pousadas adaptadas para receber tanto turistas quanto cavalos, Portugal ainda não capitalizou plenamente o seu potencial neste segmento. Na Feira de Turismo de Madrid (FITUR), são transacionados mais de 40 itinerários equestres homologados, com experiências diferenciadas. No catálogo há uma opção original que conta 400 anos, descrito na obra de Miguel de Cervantes, focado nas aventuras e desventuras de um cavaleiro andante, “Dom Quixote de La Mancha a Cavalo”, além de consumidores de turismo cultural, atrai amantes da vida levada em ganadarias, natureza, montanhas, paisagens, O sucesso espanhol reflete uma visão integrada da distribuição, com workshops, marketing e comunicação,

Portugal possui todos os ingredientes para competir neste mercado global: condições climáticas favoráveis, paisagens diversificadas, tradição equestre secular e um dos cavalos mais doceis e prestigiados do mundo, o “Lusitano”. No entanto, falta ao país emissor, uma estratégia clara de posicionamento, distribuição, investimentos em comunicação, visibilidade orientada para mercados emissores, captação de operadores, parcerias táticas.

Turismo Equestre imagem do charme e elegância

Para transformar o Turismo Equestre num produto turístico de alto valor agregado, é essencial um compromisso entre entidades públicas e privadas, incluindo o Ministério da Economia, a Secretaria de Estado do Turismo, a ANTE a Associação Portuguesa das Agências de Viagens (APAVT), a Federação Equestre Portuguesa e os principais players do setor. Uma das ações prioritárias passa pela criação de um evento corporativo exclusivo para buyers e suppliers, que apoie e incentive a distribuição, integrado num cartaz enraizado como a Feira Nacional do Cavalo, Golegã, garantindo a presença da imprensa internacional especializada, focado nos principais mercados emissores e países de invernos rigorosos .

A aposta estratégica no Turismo Equestre impulsionaria o setor hoteleiro, a restauração e os serviços complementares no interior do país, também reforçaria o posicionamento de Portugal como destino premium num target de mercado com alto poder aquisitivo. Oportunidades existem—o que falta é um plano estruturado e ações concretas para transformar este potencial em resultados reais.